Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Curiosidades’ Category

No mesmo fim de semana em que visitamos Monolake aproveitamos para visitar a cidade fantasma de Bodie. A Califórnia é cheia de cidades fantasmas, e Bodie é uma das mais famosas. Alias, Segundo as informações que obtivemos por lá, essa é a maior cidade fantasma Americana. A maioria delas foi abandonada devido ao declínio da atividade econômica (geralmente mineração), em geral sua população vai diminuindo gradativamente, no caso de Bodie alguns grandes incêndios também ajudaram a esvaziar a cidade.

Bodie fica no norte da Califórnia, praticamente no meio do nada. Tendo a mineração como base econômica, a cidade passou por um período de expansão, com a descoberta de ouro nas suas redondezas, e em 1879 sua população chegou a alcançar 10.000 habitantes. Como toda cidade do faroeste, Bodie ficou famosa no imaginário americano pelos seus vilões. Os famosos bandidos de Bodie (The bad man from Bodie) aprontavam horrores, e não faltavam brigas de rua, duelos e assaltos a mão armada para agitar o cotidiano da remota cidade. Por um tempo, Bodie foi a epítome da terra sem lei. Diz a lenda que uma garotinha de mudança para Bodie escreveu em seu diário “Adeus Senhor, estou indo para Bodie”, e o vigário da cidade descreveu Bodie em 1881 como “um mar de pecado, atacado por um furacão de luxúria e paixão.Atualmente a figura mais assustadora e apaixonante que encontramos em Bodie foi um gatinho preto que habita a única casa da cidade aberta ao público (além do Museu), e que apelidamos carinhosamente de fantasminha de Bodie.

Desde 1962, Bodie está em um estado de decadência suspensa (arrested decay), o que significa que apesar de não estar mais em desenvolvimento, tão pouco sendo restaurada ou melhorada, existe um processo de manutenção que impede a sua completa decadência, e a preserva no tempo, como um parque histórico estadual. São conservadas apenas cinco por cento das construções existentes na cidade em 1880, mas já se percebe que Bodie foi uma cidade importante na economia da região. São 69 prédios, que incluem uma igreja, uma casa funerária, um bar/hotel, armazém, escola, casssino, e várias residências, e outros prédios importantes para a cidade de Bodie. Tudo está como foi deixado pelos moradores, coisas espalhadas pela casa, louças nas mesas, nas pias, arrumações por fazer, em fim, uma cidade literalmente parada no tempo, cujo antigo charme ainda aparece nos pequenos detalhes.


Olhando com cuidado a foto da direita, dá para perceber que além do que restou dos produtos do antigo mercado da cidade, há também a imagem difusa de dois fantasminhas (bem camaradinhas) que estavam de passagem por Bodie! :)).

Anúncios

Read Full Post »


DeathValey_1 copy

Originally uploaded by nossasandancas

Esse verão está sendo uma correria. Com tanta coisa para explorar pelas redondezas da nossa nova cidade, os fins de semana em casa tem sido raros. Enquanto isso, os posts vão acumulando. Então ao invés de tentar postar as coisas em ordem cronológica, decidi escrever sobre o que está mais fresquinho na minha memória (que já não é mais tão boa quanto antigamente – sendo que nunca foi grandes coisas para começar… hehe).

Na semana passada a aventura foi no deserto. Mesmo sabendo que pegaríamos temperaturas médias de aproximadamente 45oC, decidimos (o nosso fotógrafo decidiu, e eu concordei, apesar de já não saber mais exatamente o porquê de tê-lo feito) ir ao Death Valey National Park (conhecido como Vale da Morte). Então, sexta feira, depois do almoço, nos abastecemos de vários litros de água, um cooler e muito gelo e seguimos para o norte, pelo mesmo caminho das viagens anteriores, que já está ficando nosso velho conhecido.

Depois de umas três horas e meia de viagem, chegamos no parque. No caminho aproveitamos para ler todas dicas dos guias. Como estávamos chegando pelo lado oeste, concluímos que o melhor lugar para aproveitar (e fotografar) o pôr do sol seria as Dunas do Vale da Morte (Mesquite Dunes). Chegamos nas dunas aproximadamente 6:00 da tarde, o sol já estava querendo se esconder atrás do montes e, mesmo assim, quando abrimos a porta do carro,foi como se estivéssemos entrando em um forninho. Depois de ter feito a viagem inteira do conforto do nosso carrinho geladinho, o contraste foi meio chocante e, branquela que sou, voltei correndo para me besuntar de protetor solar. Fizemos uma caminhada pelas dunas, que são lindas e, pelo que entendi, razoavelmente estacionárias, ou seja, elas mudam de forma, mas permanecem no mesmo local no parque (também, nem teriam pra onde ir, já que o vale é mesmo cercado de montanhas por todos os lados). Mesmo depois do sol se por, continuei com a sessação de estar num forninho (churrasquinho de gente… hehe). Mas o pôr do sol foi lindíssimo, as cores das montanhas contrastando com a areia das dunas formam uma paisagem magnífica, então valeu apena aguentar o calor.

Acordamos cedo para ver o nascer do sol no dia seguinte e também para aproveitar o parque sem queimar os miolos. As 5:30 da manhã estávamos lá nas dunas, aproximadamente no mesmo bat-local, mas dessa vez olhando para o outro lado, e o nascer do sol não decepcionou. De lá fomos a badwater (literalmente, água ruim – que leva esse nome por ser salgada ou seja, intragável, para desespero dos viajantes desavisados que passavam pela região durante a época de colonização do Oeste Americano), onde fica o ponto mais baixo do hemisfério norte, a 86 metros abaixo do nível do mar. Aliás, por ser tão baixo e tão seco, o vale da morte é um dos lugares mais quentes do mundo. Foi lá que foi registrada a segunda temperatura mais alta do planeta, 56,6oC, em 1913. O único lugar que compete com o vale da morte é o poderoso deserto do Saara, e ainda assim apenas por poucos graus.

Seguimos para o Campo de Golfe do Diabo (Devil’s Golf Course) uma imensa salina (reserva natural de sal), formada no fundo do vale, com os sedimentos que sobraram depois da evaporação de toda água da região. O mais interessante foi descobrir que esse sal cristaliza e forma pedras bem durinhas cheias de pontinhas cortantes, e é um perigo para os pezinhos desavisados. No caminho de volta passamos pela Paleta do Pintor (Artist’s Pallete), que são umas rochas muito coloridas, parecem mesmo uma paleta (aquela onde o pintor mistura suas tintas). Depois daí eu já não vi mais nada além do interior do Centro de Visitantes. O calor foi me dando uma moleza, e caí num sono profundo, deixando nosso fotógrafo encarregado de encontrar a saída e nos levar de volta a um lugar mais fresquinho.

Ficou faltando ver um bocado de coisas interessantes, inclusive as pedras deslizantes (Racetrack Playa), que são pedras que deslizam deixando seu rastro pelo solo do deserto. Então combinamos de voltar em uma época de temperaturas um pouco mais amenas, para que possamos aproveitar melhor as muitas atrações do local, sem risco de insolação.

Ou seja, fique ligado nas nossas próximas aventuras! 😉

Read Full Post »


VasquezRocks

Originally uploaded by nossasandancas

Hoje o fim de tarde rendeu outra viagem curtinha, uns 15 minutinhos de carro até Vasquez Rocks, um (mini) parque estadual que fica bem pertinho de casa. Para os fãs de Jornada nas Estrelas (Star Trek) ele tem significado especial. Basta uma curta caminhada por suas trilhas para (mesmo uma fã não tão dedicada, como eu) identificar rapidamente as típicas locações da série.

Com suas formações rochosas enviesadas, brotando do chão arenoso do deserto, e formando camadas de pedras de cores variadas, a cada quebrada fica a impressão de que vamos encontrar o famoso e sedutor Capitão Kirk ou quem sabe Mr. Spock com suas orelhas pontiagudas e sua lógica irredutível. Mas, a região não foi apenas palco de Jornada nas Estrelas. Inúmeros outros filmes e séries, foram e continuam sendo gravados no local, entre eles, Pequena Miss Sunshine (2006), Carros (2006), Planeta dos Macacos (2001),e Os Flintstones (1994). A região também consta da lista de locações do novo filme da série Jornada nas Estrelas (2009). Infelizmente chegamos tarde, o filme já está em pós-produção, então não teremos sneak peak das gravações. Quem sabe no próximo?

Chegando em casa lembramos que hoje é quatro de julho, dia da independência americana, então fechamos a noite assistindo ao show de fogos de artifício do gramado do parquinho que tem aqui no nosso condomínio. Não chegou aos pés do Quatro de Julho de Chicago, tão pouco das celebrações de virada de ano do Rio de Janeiro. Mas foi bonitinho, não custou nada, e a gente nem precisou pegar o carro pra chegar lá 😉

Read Full Post »




AlabamaHills_arch2

Originally uploaded by nossasandancas

Colocamos o pé na estrada novamente este fim de semana. Mesmo bat-local da semana passada (Alabama Hills e redondezas), mas, para não ficar chato, mudamos o bat-horário (acho que depois dessa já dá para perceber que a criança aqui não é mais tão criança assim, mas tudo bem!). O processo de sair de casa daria uma história à parte, mas como estaria mais para história da vida privada, fica para outro dia. Saímos na sexta-feira à noite com o objetivo de acordar cedinho para pegar o nascer do sol em frente a um de seus famosos arcos de pedra, contemplando a paz e a beleza do local. O fotógrafo estava super animado e a recém-nascida blogueira também! Acordar cedo foi mais fácil do que pensamos (4:50 da matina, pois o sol está nascendo as 5:30 agora no verão). A beleza deslumbrante do local e as nuances de cores e sombras que só o nascer do sol pode deixar a mostra também não decepcionaram. Já a esperança de paz e solitude foram pro brejo assim que chegamos ao estacionamento e nos deparamos com 7 carros, 8 com o nosso, 9 com o que chegou depois… Todo mundo querendo fotografar o mesmo hot spot. Verdade seja dita, não dá para culpar ninguém, o lugar é lindo mesmo, e merece admiração.

Localizados no Estado da Califórnia, e não no Alabama, como poderia se pensar pelo nome, os Alabama Hills ficam aos pés da Sierra Nevada, na cidade de Lone Pine. Os morros foram assim batizados como um gesto de simpatia da comunidade para com os sulistas durante a guerra civil americana, e fazem menção ao Navio Pirata Alabama. A região é conhecida por ter sido a locação de vários filmes e comerciais famosos, especialmente, filmes de faroeste. Suas formações rochosas levam nomes de ícones do cinema americano como Gary Cooper, Humphrey Bogart e Cary Grant, entre outros. Coincidentemente, dentre os filmes mais recentes gravados por lá, está o Iron Man, do qual falei no meu post anterior (Coincidência mesmo, descobri por acaso, nessa última visita, em uma notinha modesta no lobby do hotelzinho em que ficamos, achei que valia a menção!). Um pequeno mapa das locações dos filmes é oferecido pala Câmara de Comércio de Lone Pine, para guiar os visitantes. E há uma lista de mais de 100 filmes filmados na região que pode ser encontrada aqui.

Caminhando por suas trilhas é fácil entender porque chamam tanta atenção. A paisagem é árida, o que tanto pode lembrar um ambiente extra-terrestre, como pode lembrar o sertão desolado, que caí bem com os filmes de faroeste que a gente conhece. Olhando de longe, o contraste é nítido. Enquanto as montanhas da Sierra Nevada são pontudas e meio serrilhadas, os Alabama Hills são mais arredondados, de uma cor mais dourada, ou alaranjada. Segundo a wiki, eles são compostos de rochas vulcânicas alaranjadas que vem se transformando nos últimos 150 a 200 milhões de anos, e também de granito que é mais novinho, apenas 90 milhões de anos. A propensão a formação dos arcos de pedras também ajudam a chamar atenção dos fotógrafos.

E por falar em fotógrafos, descobrimos que vários deles estavam participando de uma oficina de fotografia e, para a infelicidade do nosso fotógrafo, essa não foi a última vez que os encontramos durante nossa viagem. Não me entendam mal, gostamos de fotógrafos, mas quando encontrados em bando, eles acabam ficando uns no caminho dos outros, tornando o processo criativo complicado (não pra mim, logicamente, hehe – achei até divertido observá-los).
Para maiores informações sobre hospedagem e atividades em Lone Pine e Alabama Hills clique aqui. Informações em inglês.

Read Full Post »


No fim de semana passado resolvemos por o pé na estrada e explorar a Califórnia. Foi nossa primeira viagem desde que mudamos pra cá. Seguimos para o norte por uma interestadual que passa por entre a Sierra Nevada e as White Mountains (Montanhas Brancas). Há tanta coisa para ver por esse caminho que foi difícil escolher o que fazer primeiro.

Depois de uma troca de idéias e uma tentativa frustrada de visitar uma cidade fantasma (Cerro Gordo), acabamos resolvendo visitar a Bristlecone Pine Forest (Floresta de Pinus Longaeva) primeiro. Localizada dentro da Inyo National Forest (Reserva Nacional Inyo), é lá que se encontram as árvores mais antigas do mundo, os pinheiros conhecidos como Bristlecone (Pinus Longaeva). Gentilmente apelidadas pela minha cara-metade de vovozinhas do mundo, a mais antiga delas tem quase 5000 anos, e leva o apelido de Matusalém.

Essa espécie existe apenas nas White Mountains, onde crescem e se fortalecem em um ambiente muito árido de rochas brancas de dolomita que dão o nome às montanhas. A dolomita é uma forma de calcário muito alcalina que impede que outras plantas sobrevivam e permite que esses pinheiros, relativamente baixos, enroscados e enrugados sigam sua vida por milhares de anos. O folheto informativo da reserva florestal onde elas estão localizadas explica que sua madeira é mais dura e resistente a insetos e parasitas do que a maioria das árvores, e por ter se adaptado tão bem às dificuldades da região ela consegue sobreviver sem ser incomodada por anos e anos a fio.

Sua idade e preciosidade foram descobertas por acaso, quando um cientista resolveu recolher uma amostra de seu tronco para analisar seus anéis em busca de maiores informações sobre as mudanças climáticas na região. Nessa época já se sabia que as árvores crescem uma casca ao redor do seu tronco a cada ano, formando anéis concêntricos que permitem descobrir com precisão sua idade. Alem da idade da árvore, pode-se descobrir, entre outras coisas, detalhes sobre as mudanças climáticas da região, através das muitas variações na espessura de cada anel (-anéis mais grossos significam estações chuvosas, enquanto anéis mais finos significam períodos de seca – esse método é conhecido como dendrocronologia). Imaginem a surpresa do tal cientista quando começou a contar os anéis da tal arvorezinha despretensiosa e acabou virando a noite sem conseguir terminar sua contagem, chegando a mais de 4000 anéis. Nessa época também se pensava que as Sequóias Gigantes eram as árvores mais antigas. Está ai mais uma prova do que eu sempre digo, tamanho não é documento!!!

Devido a sua idade avançada e também a precisão com que é possível contar-se os anos, tanto das árvores ainda vivas, quanto dos troncos das árvores caídas pela floresta, sua linhagem registrada data de mais de 10.000 anos. Essa precisão ajudou a re-calibrar os testes de carbono, usados para estimar a idade de artefatos encontrados em escavações arqueológicas. Essa calibração levou a reavaliação da idade de vários artefatos encontrados na Europa e Ásia e, portanto, a reavaliação de várias análises históricas, daí a fama dessas arvorezinhas tão simpáticas, que segundo o folheto do parque, são consideradas as “arvores que re-escreveram a história”

Graças à visão de futuros de algumas pessoas, elas continuam aqui escondidinhas atrás da Sierra Nevada a mais de 3000 metros de altitude, nos ajudando a entender um pouco mais da nossa história e da história do nosso planeta. Quisera ter o talento para ilustrar de próprio punho as dobras e desdobras, tornos e contornos dessas árvores tão lindas e tão fascinantes, que nascem praticamente de dentro das pedras e sobrevivem onde praticamente nada mais consegue, por mais tempo do que a mente humana (pelo menos a minha) consegue discernir. Na falta do talento, fica a foto da viagem.

Para maiores informações sobre o parque, visite o site do Inyo National Forest.
Para informações sobre as cidades mais próximas visite: Bishop, ca e Lone Pine, ca (Informações em inglês).

Próxima parada: Alabama Hills

Read Full Post »

« Newer Posts